


Sina de três crianças
Perdida, no meio da serra,
No interior, la na beira,
Nossa casinha, de cal e pedra,
E nós, sem eira nem beira.
Nossa casa, triste e tão fria,
Que era, nossa prisão,
Não havia, uma fogueira amiga,
Nem tão pouco, água nem pão.
Triste sina, a de três crianças,
Fechadas em casa, abandonadas,
Para elas, quase não havia esperança,
A não ser, a, de serem maltratadas.
Não era sÃmbolo, de felicidade,
Nem tão pouco, um trabalho louvável,
Apesar da minha, tão tenra idade,
Eu, era, pôr vocês, responsável.
Zé, eu me ocupei de ti, quem diria
E também da Prazeres, me ocupava,
Quando a mãe, ia trabalhar ao dia,
E, em casa,á chave nos fechava.
Ela, tranquila,la partia,
Sem por nós, se preocupar,
A única coisa, que fazia,
Era, em casa, Ã chave nos fechar.
Nós, com fome e com frio,
Fartos de, na escuridão ficar,
Chorava-mos, lágrimas a fio,
Somente desejávamos, nos pirar.
Então, pela pequena janela,
Conseguia-mos, fugir e passar,
A mãe chegava, e a chinela,
Logo se punha, a trabalhar.
A mãe, soube do segredo, do postigo,
Porque tudo, lhe Ãam contar,
Aumentou pois, assim o castigo,
Mais dûramente, nos começou a açoitar.
E só, por aquele janêlo, tão pequeno,
Ao qual, mal conseguia-mos chegar,
Fugia-mos, para termos liberdade,
Para ao sol,correr e brincar...
Autoria: Dora Coimbra
